domingo, 10 de março de 2013

Postado por Leandro Del Tedesco Ás 16:31



Nunca tive sorte!
Nasci pobre,careca,gordo,banguela,baixinho e pra piorar,natural da Vila Ideal,um submundo desnaturado onde os filhos choram,as mães não escutam e os pais não ligam.
Lá de Cima me mandaram um agrado.
Fui contemplado com um par de ingressos para o jogo entre a seleção americana de futebol de botão versus a equipe angolana de hóquei no gelo.
Fiquei emocionado quando o brinde ofertado por uma empresa de seguros residenciais para andarilhos divulgou o resultado na TV.
-And the oscar goes to...Kanela !
Oba !!!
Nenhuma mina da Vila tinha tanta falta de juízo para me ombrear no "tour". A solução foi convocar a companhia do Bolacha,que predominaria ao meu lado no "airplane".
Iríamos finalmente conhecer a badalada capital europeia:
-Nova Iorque,aí vamos nós !
Na despedida os pais do Bolacha recomendaram insistentemente que não conversássemos com estranhos.
-Iés !-acatamos.
Minha "mother" trocou a fechadura de casa e sugeriu que eu não regressasse.
-Furévar !-insistiu,sonegando o sorriso.
Quando desembarcamos nos "states" ficamos surpresos com a cultura americana. Até os mendigos mais pobres falavam fluentemente o idioma inglês e nós,intelectuais nobres,mal balbuciávamos "róti dogue".
O guia turístico me sabatinou:
-Quais são os seus planos,rapaz?
-Planejo viver eternamente,até agora tá dando certo!
Quá quá quá
Aportamos em nossa "house" de onde avistamos uns pernetas depreciando o futebol verde e amarelo.
Profundos esculpidores do esporte fizemos questão de nos aproximar para zoar com os "brothers".Um esquisito que se parecia comigo implorou para que agregássemos na brincadeira.
-Óquei !
Ensinaríamos aos filhos do Tio Sam lances mágicos made in Brazil.
Os tolos jogavam como maricas,usavam capacetes e roupas acolchoadas.
Babacas !
O juíz,retardado,não assinalava falta quando seguravam a bola com as mãos.
Os gringos tentavam me agarrar,porém usava minha ardileza brasileña e me desvencilhava do corpo à corpo fétido.
Patético !
Tava tudo estranho.
-I dont know !-cochichei com o Bolacha num tom enigmático.
-Ô Kanela,se liga mano,esse aquí não é o nosso futebór...é futebór americano.
Oh my God !
Assustei quando o trêmulo guia me confabulou que estava em jogo dez mil dólares.
And no...and no...and no!
Rezei pra São Pelé nos salvar.
Percebí através dos diálogos legendados que os tímidos no trato com a bola tinham intimidade com a máfia.
Assim que os "bad boys" se distraíram com o corre-corre de um ataque terrorista,corremos pela "street" mais próxima.
Enxotaram a gente municiados com o vocabulário bélico.
O Bolacha,esfomeado,ao sentir o cheiro de gato morto instigou a bulímia e me arrastou para a lanchonete "Mc Nojos",onde devorou uma dezena de delícias diet.
Despistamos os "yankees",embolamos nossos embornais e voltamos para o Brasil com S.
Sentimos o quanto sofre um brasuca nos confins do mundo.
Muitos atletas tropicais se transferem para países frientos e cinzentos buscando bonança.
Trocam o paraíso pela miragem.
Erramos ao cultivar a adoração americanista e ao cultuar os enlatados U.S.A.
"Home sweet home".
O voo deixou sequelas.
O Bolacha sofre até hoje do estomâgo devido ao número exorbitante de quitutes que ingeriu na América e eu tô com um sério problema pulmonar por ter inalado o ar exalado pelo porcalhão.
Quando a mamãe me viu voltando foi diplomática:
-Fuqui iu !
-Fuqui iu tiu !-retribuí carinhosamente,abraçando-a.

                                   THE END

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